Por um prosaismo poético

Outro dia uma aluna de cursinho me perguntou: a poesia no mundo acabou?! Entendi sua pergunta como uma entristecida afirmação. Porém, minha resposta imediata foi não. Um não dito com milhares de signos e palavras borbulhando na mente e na boca. Fiquei mudo, perplexo e sem muitas palavras. Inefavelmente quiz não dizer. Quiz erguer um mundo naquele instante. Um mundo que se toca, que se vive e não mero idealismo ou romantismo piegas. A poesia está no mundo, viva! É só deixar-se ouvir os corações e mentes. Há poesia, podemos ter enterrado algumas poesias mas outras estão circulando pelo cotidiano. Quantas ambulantes não vemos por aí, diariamente?! Quantas paixões encontro quando saio de casa, ou mesmo em casa, oh quantas em minha casa?!!!
Historicamente, vimos durante as primeiras décadas do século XX a poesia se tornar prosáica, nas mãos de Pessoa, em portugual, Bandeira e Drummond no Brasil, mas o prosaimos do mundo bebe da fonte poética (coloco os maiores nomes da poesia em lingua portuguesa como exemplo aqui). Obsevemos como o prosaismo está poético nos dias de hoje! E é justamente a póetica do mundo que o sustenta em tempos de bombas capazes, cada uma delas, de destruir a terra 2000 (duas mil) vezes, como se não fosse necessária uma só vez. Desde a década de 60 do século passado vivemos nesta insustentável condição. Uma condição cada dia mais humana dependente da humanidade, da poética, da poesia, da literatura, das artes, da ecologia, da música, da crença no humano do homem. A poesia é sobrevida. A poesia é supervida. Ouçamos o que o mestre islâmico dos Libaneses no Brasil disse em suas conclusões sobre os ataques de Israel ao Líbano nesta semana: "morreu o sentimento de humanidade, a humanidade está morta". Ouçamos, mas contestemos sua fala através de nossas vidas. Valorizando ser o que se é, conquistando o que se tem, diariamente, tendo fé na vida a cada respiração. Morreremos para a humanidade um dia, mas ela nunca pode morrer dentro da gente. Talvez assim a vida se torne eterna.
Sobre a aluna de cursinho que me fez a pergunta, talvez não tenha conseguido responder na hora, mas alguma sentelha de poesia a fisgou, tornou-se professora, apesar ainda estar na graduação do curso de Letras na Unesp de Araraquara.
Só não sei se será professora de literatura para defender a vida da poesia ou sua morte... mas deixo minhas sinceras heranças para o mundo, a de passado, a do presente e a de futuro. [Ziggy]

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