descascandopepino

Monday, August 14, 2006

Hà muita discussão sobre cotas; melhor ler e ficar atento!

Avanço afirmativo

Ampliar desde já a diversidade dos alunos nas universidades é meta desejável, mas cotas não são a melhor resposta

DISSIPADA a maior parte da energia que animou o debate sobre cotas raciais na universidade brasileira, alguma luz aproveitável emana do braseiro ora adormecido na forma de consensos que, de modo incipiente, estão surgindo no meio social.Reconheceu-se, primeiro, que o cerne da exclusão universitária não se encontra na questão racial. As instituições de ensino superior são incapazes de amostrar o contínuo social brasileiro como um todo na diminuta parcela que obtém nelas uma vaga. O resultado é uma universidade sem diversidade, menos plural.A precedência do aspecto social sobre o racial, em matéria de exclusão, não apaga a realidade deste último, contudo. Se pobres são raros nas instituições da elite educacional, a metade negra e parda da população brasileira é quase invisível. A desigualdade de oportunidades que se abate sobre o estudante de baixa renda acaba potencializada pela discriminação contra o negro.Esta Folha tem se batido contra a resposta simplista a esse problema, de propor a reserva de vagas nas universidades públicas. Prossegue considerando que não surgiram argumentos ponderáveis para desfazer a noção de que as chamadas cotas -raciais ou sociais- representam uma ruptura inadmissível do princípio constitucional da igualdade de todos perante a lei.As cotas, porém, não circunscrevem o universo das ações, ditas afirmativas, que se podem adotar para combater, nos limites do constitucional e do razoável, a falta de diversidade social na elite universitária. É o momento de avançar nesse debate.Não há condições para impor, por meio de uma norma federal, mecanismos específicos para fomentar a inclusão na universidade. É impossível reconciliar o detalhismo da legislação em exame no Congresso com o princípio da autonomia acadêmica. Quando muito, a legislação nacional deveria limitar-se a exigir de universidades que adotem programas próprios de inclusão social.A partir daí, talvez possam ser discutidas maneiras mais generosas e criativas de obter a desejada inclusão para cada contexto regional, em um debate enriquecedor entre a universidade e a sociedade civil em seu entorno.De um processo dessa natureza surgiu o sistema de pontuação adicional no vestibular da Unicamp. O seu objetivo foi manter a primazia do critério do mérito e ao mesmo tempo conceder um incentivo modesto, suficiente para incluir aqueles candidatos de menor renda e negros com desempenho equivalente na segunda fase do vestibular. Isso fez aumentar, respectivamente, 18% e 42% esses contingentes.Esta Folha, que tem sistematicamente recusado qualquer forma de discriminação positiva, passa a defender que processos como o que redundou na fórmula adotada pela Unicamp assumam a proa da discussão -desde que renunciem ao viés racial. Ao buscar a inclusão de alunos de baixa renda vindos da escola pública, uma universidade estará automaticamente contribuindo para aumentar a representação de negros. Não se trata de ignorar a prevalência difusa do racismo no Brasil, mas de reconhecer que não há como utilizar a inclusão universitária para combatê-lo sem consagrar alguma forma de discriminação racial, ainda que positiva.
Editorial da Foha de 14/08/06

Thursday, July 27, 2006

Enem: saiba como fazer uma redação matadora

Moreno Cruz Osório

A redação do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é muito parecida com as de vestibulares, mas com alguns traços característicos. A temática mais voltada para o social e a aplicação dos cinco conceitos explorados na prova objetiva são os principais pontos que a diferencia das demais. O texto deve ser estruturado na forma de prosa do tipo dissertativo-argumentativo, uma preocupação com a reflexão.

"O Enem quer formar cidadãos, pessoas com uma visão global do que acontece ao seu redor e capazes de opinar sobre isso", explica Osmar Junqueira Lima, professor de português e literatura do Instituto Henfil, ONG paulista que oferece cursos de preparação para a prova.
Apesar de ter uma estrutura semelhante às redações dos vestibulares comuns, o texto a ser redigido na prova do Enem exige do aluno um raciocínio mais homogêneo e completo. Para Lima, a palavra que define a redação é "interdisciplinaridade". Ou seja, "o aluno deve saber enxergar os acontecimentos como um todo, não em quadros isolados".

Em termos práticos, um tema será apresentado, e o candidato deverá desenvolver suas idéias sobre este assunto de forma coerente e organizada. "Isso significa levantar uma tese nas primeiras linhas, desenvolvê-la e defendê-la nos parágrafos seguintes", diz a professora de português do Cursinho da Poli, Cássia Diniz Moraes.

Isso fica claro nas competências de avaliação da prova objetiva, cobradas de uma forma um pouco diferente na questão da redação.

A competência I, referente ao domínio da linguagem, aplicada à redação, significa fazer uso da norma culta da língua portuguesa. Serão examinados aspectos como a concordância verbal e nominal, pontuação, ortografia e acentuação. Cássia confirma a importância deste aspecto na prova. "Não adianta o aluno ter uma boa proposta para o tema, se não domina o conteúdo gramatical".

A competência II consiste em saber construir e aplicar conceitos e compreender fenômenos. Na redação, isso significa compreender a proposta e aplicar os conceitos conhecidos para desenvolver este assunto. Feito isso, o candidato deve saber selecionar e hierarquizar o seu conhecimento para responder a questão apresentada pelo tema, exigência que caracteriza a competência III. "A prioridade no Enem é saber inter-relacionar os conteúdos", explica Cássia.

A temática, talvez o aspecto mais peculiar do Enem, geralmente propõe abordagens sociais, como violência, política e educação. Segundo Cássia, temas mais polêmicos implicam em um bom conhecimento do assunto. É aí que entra a competência IV. Ela exige do candidato saber construir um argumento consistente, ou seja, por meio dos conceitos selecionados e hierarquizados, defender um ponto de vista. Fazer isso, afirma Lima, obriga o aluno a saber o que está falando.

Ao desenvolver a questão apresentada, o candidato deve incluí-las em um contexto de diversidade cultural e respeito aos valores humanos e apresentar propostas de intervenção solidária na realidade, que é a competência V. Isso significa pensar em cidadania. E ser cidadão é refletir sobre os problemas que afetam a sociedade, desenvolver uma opinião e procurar soluções. Fazendo isso, o candidato alcança os cinco tópicos propostos pelo Enem e, segundo Lima, "dá um passo para participar da sociedade do futuro".

As provas do Enem acontecem no dia 27 de agosto, das 13h às 18h

Confira dicas para você se dar bem na prova do Enem

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) é estruturado a partir de uma matriz de 5 competências, definidas como “ações e operações que utilizamos para estabelecer relações com e entre objetos, situações, fenômenos e pessoas que desejamos conhecer”. São elas:I. Domínio da Língua Portuguesa das linguagens matemática, artística e científica.II. Compreensão de fenômenos naturais, de processos histórico-geográficos, da produção tecnológica e das manifestações artísticas.III. Utilização de dados e informações representados de diferentes formas para tomar decisões e enfrentar situações-problema.IV. Construção de argumentação consistente.V. Elaboração de propostas de intervenção solidária na realidade, respeitando os valores humanos e considerando a diversidade sociocultural.As questões do exame procuram integrar os conteúdos das diferentes disciplinas e o aluno deve resolvê-las utilizando 21 diferentes habilidades, que decorrem das competências adquiridas. A seguir são descritas as diferentes habilidades, cada qual acompanhada de um exemplo comentado, extraído do próprio ENEM.

Dicas de Temas:

O professor de redação do Cursinho da Poli, Gesu Wanderley Costa, diz que os alunos não devem se preocupar tanto com o tema da redação. "O Enem nunca aplica uma proposta de redação que está longe da realidade do candidato ou alguma questão de difícil resolução. O mais importante é a posição em relação ao fato", afirma.

Segundo Costa, o Enem exige uma postura ética do aluno. "Se a questão é sobre o meio ambiente, o aluno não poderá apresentar uma posição que prejudique a natureza. Se a questão é sobre guerra, a redação do aluno deve apresentar propostas de paz".

Temas de RedaçãoO Terra pediu ao professor Gesu Wanderley Costa algumas sugestões de temas para a questão de redação do Enem 2006. "Os professores nunca acertam", disse ele, em tom de brincadeira. Mesmo assim, o professor elaborou quatro sugestões. Segundo ele, o tema tende a sair um pouco da questão social e apostar mais na ética no dia-a-dia. Confira as sugestões abaixo e use-as para treinar em casa.

1) Relações humanas no século XXI."Até o final do século XX, o mundo mudava a cada século. Hoje, com o avanço da tecnologia, o mundo muda a cada ano. Para onde o mundo está se encaminhando? Que perspectivas podemos ter em relação à política e às relações humanas no século XXI?"

2) Norma culta do português"Os efeitos da normal culta favorecem os mais bem remunerados? Quais são as dificuldades que os alunos têm? O Enem convidaria o aluno a refletir sobre o tema."

3) Auto-estima dos brasileiros"O Brasil perdeu a Copa do Mundo de 2006. O futebol, que sempre foi bem, decepcionou. Como fica a auto-estima do povo brasileiro depois de uma derrota em uma área que gera tanto orgulho? O que esperar de outras áreas que nunca foram motivo de orgulho, como política, educação, saúde?"

4) Conceito de verdade e mentira na vida dos brasileiros"Todo mundo conhece o 'jeitinho brasileiro'. Ele ajuda ou prejudica o dia-a-dia dos brasileiros? Vale a pena uma mentirinha para levar certas vantagens?"
[Informações tiradas do Site http://educaterra.terra.com.br/educacao/]

Tuesday, July 25, 2006

Carta Argumentativa, Rubem Alves

Senhor bispo,

Por favor, instrua os seus padres informando-os de que todas as crianças vão para o céu, mesmo sem batismo.

DIRIJO-ME A V. Rvma. a fim de solicitar esclarecimentos sobre um problema que me foi comunicado via internet por uma mulher que desconheço. O assunto trouxe-me grande aflição por estar em jogo a salvação eterna da alma de uma criança inocente. A dita mulher me enviou um e-mail após ter lido um artigo meu sobre o batizado da minha neta Mariana do qual o celebrante não autorizado fui eu. Disse-me ela que tem um filhinho e é seu desejo batizá-lo. Mas o sacerdote lhe nega o batismo sob a alegação de que ela e o pai da criança não são casados na igreja. A criança corre o risco de passar a eternidade no inferno por causa do pecado dos seus pais.Sempre pensei que, segundo a teologia da igreja, o fato de uma mulher ficar grávida, casada ou não casada, é sinal de que Deus deseja a dita gravidez. Pois se ele não a desejasse a gravidez não aconteceria. É somente isso que explica a interdição do aborto em qualquer situação, inclusive nos casos em que o feto não tem cérebro. O senhor haverá de convir comigo que existiria uma contradição na mente divina se Deus aprovasse a gravidez e, ao mesmo tempo, ordenasse à instituição que o representa que lhe negasse o batismo. Imaginemos que uma mulher engravide como resultado de um estupro. O seu filhinho está condenado a uma eternidade no limbo? Imaginemos uma mulher e seu companheiro. Eles muito se amam. Mas não são casados sacramentalmente. Sei que o amor não importa. Aprendi isso de um padre que, numa homilia de casamento, disse aos nubentes: "Não é o seu amor que faz o seu casamento. É o contrato."Muito embora os textos sagrados digam que Deus é amor, e o apóstolo Paulo tenha dito que o amor é a maior de todas as virtudes, o fato é que, para a teologia da igreja, quem não casou na igreja está num estado de concubinato. Os companheiros estão em pecado e impedidos de receber os sacramentos. Eles têm um filhinho que não pode ser batizado. Aí o marido morre num acidente. Agora, graças à morte do marido, a mulher não mais se encontra numa relação pecaminosa. A criança pode ser batizada. E se o companheiro da mulher que me enviou a carta morrer, o seu filho poderá ser batizado?De todos os santos o de minha devoção mais forte é santo Expedito. Ele tem a palavra "hoje" escrita na sua cruz. Santo Expedido não deixa para amanhã. O milagre acontece no mesmo dia. Pois contou-me uma piedosa senhora sobre um milagre de santo Expedito. Uma amiga sua sofria muito nas mãos de um marido cruel. Ela orou a santo Expedito e o seu pedido foi atendido no mesmo dia. O seu marido se enforcou. Trata-se, eu penso, do primeiro suicídio milagroso de que há registro.

Pergunto: "Seria adequado à mulher que me escreveu apelar para os serviços rápidos de santo Expedito? Quem é que o santo mataria? O marido ou o padre? Se ele me pedisse conselho eu diria: "Mate o padre..."Por favor, senhor bispo: instrua pastoralmente os seus padres informando-os de que todas as crianças vão para o céu, mesmo sem batismo, não importando que seus pais sejam católicos, protestantes, hinduístas, espíritas, umbandistas, do candomblé, budistas, xintoístas, judeus, maometanos, ateus e quantas religiões haja.

Fraternalmente,

Dominus vosbiscum.

Rubem Alves

Por um prosaismo poético


Outro dia uma aluna de cursinho me perguntou: a poesia no mundo acabou?! Entendi sua pergunta como uma entristecida afirmação. Porém, minha resposta imediata foi não. Um não dito com milhares de signos e palavras borbulhando na mente e na boca. Fiquei mudo, perplexo e sem muitas palavras. Inefavelmente quiz não dizer. Quiz erguer um mundo naquele instante. Um mundo que se toca, que se vive e não mero idealismo ou romantismo piegas. A poesia está no mundo, viva! É só deixar-se ouvir os corações e mentes. Há poesia, podemos ter enterrado algumas poesias mas outras estão circulando pelo cotidiano. Quantas ambulantes não vemos por aí, diariamente?! Quantas paixões encontro quando saio de casa, ou mesmo em casa, oh quantas em minha casa?!!!
Historicamente, vimos durante as primeiras décadas do século XX a poesia se tornar prosáica, nas mãos de Pessoa, em portugual, Bandeira e Drummond no Brasil, mas o prosaimos do mundo bebe da fonte poética (coloco os maiores nomes da poesia em lingua portuguesa como exemplo aqui). Obsevemos como o prosaismo está poético nos dias de hoje! E é justamente a póetica do mundo que o sustenta em tempos de bombas capazes, cada uma delas, de destruir a terra 2000 (duas mil) vezes, como se não fosse necessária uma só vez. Desde a década de 60 do século passado vivemos nesta insustentável condição. Uma condição cada dia mais humana dependente da humanidade, da poética, da poesia, da literatura, das artes, da ecologia, da música, da crença no humano do homem. A poesia é sobrevida. A poesia é supervida. Ouçamos o que o mestre islâmico dos Libaneses no Brasil disse em suas conclusões sobre os ataques de Israel ao Líbano nesta semana: "morreu o sentimento de humanidade, a humanidade está morta". Ouçamos, mas contestemos sua fala através de nossas vidas. Valorizando ser o que se é, conquistando o que se tem, diariamente, tendo fé na vida a cada respiração. Morreremos para a humanidade um dia, mas ela nunca pode morrer dentro da gente. Talvez assim a vida se torne eterna.



Sobre a aluna de cursinho que me fez a pergunta, talvez não tenha conseguido responder na hora, mas alguma sentelha de poesia a fisgou, tornou-se professora, apesar ainda estar na graduação do curso de Letras na Unesp de Araraquara.



Só não sei se será professora de literatura para defender a vida da poesia ou sua morte... mas deixo minhas sinceras heranças para o mundo, a de passado, a do presente e a de futuro. [Ziggy]

Friday, July 07, 2006

Rumo à incerteza

A vida é uma constante mudança, por isso é incerto saber os rumos em que a humanidade vai tomar. O que (se) sabe (através do que a História nos conta, ou ao menos a qual nos chegou) é que quando os índios pensavam que iam ter uma vida pacata, chegam os portugueses para mudar o rumo daquele povo.
Os índios foram escravizados, depois os negros africanos, até os dias de hoje com esse(s) fato (s)histórico(s) marcante(s). Após tantos outros fatos, chega a Revolução Industrial que muda drasticamente a vida das pessoas, fazendo com que as que tivessem no campo fossem parar na cidade, onde [consequentemente] ocorreu um grande crescimento populacional urbano( aqui é pleonasmo, já que são as cidades - as urbes - que cresceram).
Nos dias de hoje a maior preocupação é, talvez, em relação a questão ambiental, (pois) onde esta previsto para [que em- retire isto!] um curto espaço de tempo acabará o petróleo a água, que as geleiras derretam com o aquecimento global, entre tantos outros fatores (ficaria melhor, segundo previsões acabará o petróleo em um curto espaço e tempo - mais ao menos 40 anos -, além das situações alarmantes da água potável e do derretimento das calotas polares causado pelo aquecimento global, sem mencionarmos outros fatores ambientais também preocupantes).
Por causa da industrialização e globalização um dos maiores responsáveis pela emissão de dióxido de carbono (Co2) na natureza, os Estados Unidos, não assinou o protocolo de Kyoto que prevê a diminuição da emissão dessa substância que causa efeito estufa.
Com tantos acontecimentos é realmente incerto saber o que está por vir, o que se pode saber é que por mais que se queira escrever a própria história da vida ( e do real), o final sempre ficará aberto com os três pontinhos, ou melhor, as reticências no final.
Brunella Della Maggiore Orlandi
Comentários do Ziggy:
O texto da Brunella é simples e diz o que nos interessa. Demonstra uma autora com o senso crítico em crescimento, utilizando-se da própria leitura de mundo para manipular as informações históricas. O que isso ajuda? Buscar compreender a História ajuda a melhorar a visão da atualidade, dá-se um respeito às herenças de passado e de futuro. Já que a história ainda está sendo contada. O texto é claro, com argumentos separados em cada parágrafo ( texto bem estruturado), porém há falhas no modo de dizer, as quais precisam de maior prática textual e gana de aprendizagem. Como o texto mesmo diz: "por mais que se queira escrever (...) o final ficará sempre aberto com os três pontinhos", já que a luta branca que o escritor tem com o papel é sempre uma atividade do devir. Humanamente a escrita está sempre aberta à melhoramentos, a cada leitura e a cada reescrita. O que faltou ao texto de Brunella talvez tenha sido um releitura antes de entregar o texto, só para garantir o bom fluxo de seus bons argumemtos. Em suma: é um texto acima da média por deixar clara a estrutura e passar a criticidade de um jeito natural, as falhas na concordância não arranham o bom conteúdo, pois ele ainda está bem aparente no texto todo. Brunella vamos ao próximo!!!

Sunday, May 21, 2006

Olha o que li no Observatório da Imprensa

LULA X VEJA

Bem-vindos ao Observatório da Imprensa.

O ataque do PCC à cidade de São Paulo surpreendeu muita gente, inclusive autoridades.

Surpreendeu também a mídia paulistana, por uma razão que já foi tratada diversas vezes neste Observatório: quando trata da violência urbana, a mídia paulistana costuma olhar para o lado e só enxerga a violência do Rio de Janeiro. Por hábito ou cacoete esqueceu que o narcotráfico em São Paulo ultrapassou a dimensão do crime organizado e agora está na esfera do crime politizado. Isso muda tudo. Voltaremos ao assunto.

O prestígio de uma publicação constrói-se ao longo de anos mas, às vezes, este prestígio pode ser destruído em poucas edições. Veja corre o risco de desperdiçar uma história de sucesso para transformá-la numa história de descrédito irremediável. A última edição do semanário é um indício gritante.

Veja pretendia provar que o presidente Lula e alguns de seus colaboradores possuíam contas em paraísos fiscais mas acabou envolvida numa das maiores fraudes jornalísticas dos últimos tempos.

Quando não se tem certeza de uma informação, não se publica esta informação até que seja confirmada cabalmente. E se não for confirmada, fica na gaveta ou vai para a cesta do lixo.
Veicular uma suposição mesmo assumindo que é uma suposição atenta contra os mais comezinhos princípios jornalísticos e as noções mais elementares de decência. A liberdade de expressão não pode ser pretexto para irresponsabilidades que colocam em risco não apenas uma revista mas a imprensa brasileira como instituição.

O mais grave é que o resto da imprensa noticiou a impostura. Mas nenhum jornal a comentou. Essa solidariedade com o erro não difere muito da solidariedade dos deputados que perdoam os colegas do mensalão. Se a imprensa fecha os olhos aos erros da imprensa, algum dia o leitor vai descobrir.

Comentários:
A ácidez do discurso de Dines no Observatório desceu como algodão doce pela minha garganta. Delicioso discurso. Alguns impropérios, mas adocicado discurso. Não precisava criticar a política pública de São Paulo fazendo comparações bairrista com o Rio. O problema da falta de segurança afeta todos nós do Rio, de Sampa, de Recife, de BH. Uma Política de segurança pública se fez e se faz necessário para os tempos de modernidade neoliberal globalizada. Nada alheio às movimentações da história está o crime. Este se organiza politicamente para as próximas eleições, querendo dois deputados do PCC na câmara do DF ou na assembléia legislativa de São Paulo. Realmente o crime está politizado e globalizado, pois em uma tele-conferência de celulares arquitetaram o maior ataque do medo à história recente do Brasil. Mas, entedamos que não é com covardia, ou melhor excesso de coragem e violência que se vence o crime. A atitude mais consciente será sempre o diálogo das partes, para agora precisamos de diálogos práticos e construtivos para a queda da criminalidade em todo o Estado brasileiro.

Precisamos construir o futuro no presente. Combatendo a impunidade dos crimes do Estado e dos criminosos, de todas as classes sociais (de Suzane von Richthofen à Marcos Marcolino da Silda). É necessário romper com a apatia e assegurar os direitos de todos os cidadãos, através de uma justiça que julgue prontamente, de um executivo que aja com pontualidade e um legislativo que se faça respeitar pelas ações de todos, cidadãos, judiciário e executivo. Mudemos o quadro brasileiro, não acredito que consigamos conviver com o denuncismos de revistas pretensiosas e sensacionalistas como é o caso da Veja, pelas reportagens dos últimos 30 dias (acusações ao Garotinho e às supostas contas do exterior do governo Lula).

Eu já não consigo conviver com essas, por isso se você tiver aí projetos honestos e responsáveis guardados no bolso, está aqui alguém querendo levá-lo adiante com mais cidadãos de atitude.

Wednesday, May 17, 2006

Crise do gás


CRISE COM A BOLÍVIA
A pauta de um banquete sul-americano
Rolf Kuntz

A crise com a Bolívia foi um banquete para os meios de comunicação, e a imprensa brasileira soube servir-se. Mas houve alguma timidez, no começo. Os jornais poderiam ter avançado mais cedo e com maior entusiasmo – pelo menos depois da entrevista do presidente Evo Morales no Roda Viva, da TV Cultura, em 24 de abril. Naquela noite a maior parte da mesa já estava posta, mas a festa ficou mesmo animada na semana seguinte. No dia 1º de maio, o presidente boliviano anunciou a nacionalização do gás e do petróleo. Pôs em xeque a Petrobras e o governo brasileiro e ganhou as manchetes.

No fim de semana antes da nacionalização, o Estado de S.Paulo publicou uma grande matéria sobre a diplomacia brasileira, mostrando seus tropeços na fase petista. A reportagem foi quase um prefácio ao noticiário dos dias seguintes. As manchetes da terça-feira (2/5) foram fáceis. Evo Morales forneceu o básico e até a cobertura mais pobre poderia ser atraente.

O Globo enriqueceu o noticiário com um material oportuno, formado por texto e mapa, sobre as várias crises sul-americanas do momento. Com isso, abriu o foco e deu uma dimensão maior à cobertura, já no dia 2, ao mostrar a ação de Morales como mais um golpe contra a integração regional.

Previsões quase acertadas

Na terça-feira (2/5), o governo brasileiro reagiu oficialmente à iniciativa boliviana. A reação foi fraca e a imprensa, no dia seguinte, pareceu desconcertada pela nota distribuída em Brasília. A maior parte dos jornais deu destaque ao reconhecimento da soberania boliviana pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem levar em conta que esse não era o miolo do problema.

Seria notícia o governo brasileiro negar, em vez de reconhecer, a condição soberana de um Estado vizinho. O problema era outro. Era, em primeiro lugar, uma questão de direitos e de interesses comerciais e diplomáticos, mas muitos editores, curiosamente, cuidaram do assunto na ordem escolhida por Brasília.

A timidez do governo brasileiro favoreceu o avanço de Morales e, por trás dele, de seu guia espiritual Hugo Chávez. Pode haver dúvida sobre detalhes da história, mas não sobre a participação do presidente da Venezuela no episódio. A maior parte dos jornais mencionou o assunto, mas quase sempre como pano de fundo. O Globo foi um pouco mais fundo no tratamento do tema.

A crise continuou a crescer até a Cúpula União Européia-América Latina e Caribe, em Viena. Não se esperava nada importante dessa reunião e já se previa, semanas antes, que a América do Sul apareceria desunida na conferência. Mais de uma reportagem mostrou o ceticismo dos europeus em relação à utilidade do encontro.

As primeiras previsões de como seria a conferência foram erradas só num ponto. Três semanas antes, imaginava-se que Hugo Chávez seria o protagonista sul-americano. Sua atuação deveria dificultar qualquer negociação conseqüente. Com certeza atrapalharia a reunião Mercosul-União Européia, marcada para o sábado (13/5), depois da conferência de cúpula mais ampla.

Questões de direito

O protagonista acabou sendo não Hugo Chávez, mas Evo Morales. Na quinta-feira (11/5), antes da abertura da cúpula inter-regional, o presidente boliviano deu uma entrevista especialmente agressiva, chamando as petrolíferas estrangeiras de contrabandistas e dizendo que o Brasil comprou o Acre em troca de um cavalo. O governo brasileiro foi forçado a reagir. O ministro de Relações Exteriores, Celso Amorim, deu declarações mais duras que as habituais e Morales acabou, no dia seguinte, recuando e acusando a imprensa de fomentar conflitos entre ele seus amigos brasileiros.

Novamente ficou claro que a crise Brasil-Bolívia, embora importante, era parte de um desarranjo muito mais amplo, que envolve toda a América do Sul. A reunião Mercosul-União Européia foi rebaixada e convertida numa conversa entre diplomatas, porque os presidentes do Uruguai, da Argentina e do Paraguai resolveram não comparecer. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu que não tinha sentido ir sozinho como representante do bloco. Mais uma vez os jornais foram forçados a abrir o foco para mostrar as crises que comprometem o Mercosul, a Comunidade Andina de Nações (a partir das brigas entre Morales e seus colegas da Colômbia e da Bolívia ) e também a Comunidade Sul-Americana de Nações, uma das crenças do presidente Lula.

A cobertura da crise Brasil-Bolívia tem sido ampla. Tem faltado um pouco mais de articulação do material para que o leitor possa ordenar a leitura mais facilmente. Faltou também um tratamento mais eficiente – e um pouco mais técnico – das questões de direito envolvidas no conflito. Falou-se em violação de contratos, em reparações e em direitos das petroleiras, mas teria sido útil cuidar do assunto com um pouco mais de detalhes.

Saturday, May 13, 2006

Brasil Transparente

O preconceito existente desde a escravidão estipulada pelos europeus e pela igreja católica fez com que perdurasse até os dias de hoje a má impressão sobre os africanos e afro-brasileiros.

Não tendo barreiras para quebrar essa ignorância do sistema a pólitica usa desse argumento para inserção de cotas para negros em empresas privadas, universidades públicas e tantos outros "benefícios".

Essa medida está sendo tomada não para inserir o negro no país como pessoa e sim como número para servirem de espelho para os países desenvolvidos e que possam dizer que temos uma estrutura sustentável para todas as camadas da população, ainda mais se tratando de um páis onde 60% da população é afro-descedente.

Mais isso tudo não seria mais uma forma de um preconceito estipulado pela sociedade afirmando que o negro não é capaz de conseguir suas próprias vitórias?Será que o problema não está na falta de organização de um país que ao invés de investir em educação e em reforma agrária para se ter um meio sustentável e um bom alicerce para a vida humana.

Seguindo esses fatos posso concluir que nosso país multicor não tem cores e sim é um país negro que para se tomar essas medidas de cotas e inserção do negro na sociedade é porque o contingente de pessoas afros é muito grande e que pelo visto o preconceito se perdurá por mais 700 anos, até nosso país chegar ao 100% de uma população negra, acredito que dessa forma o país sendo unicor acabará com o preconceito étnico, já que é a cor da pele que faz diferença, que sejamos todos brasileiros negros sem diferença social.

Tema: Cotas para Negros
Cristofer de Sousa Pereira - Aluno


Comentário do Ziggy:

Debater políticas afirmativas no brasil atual está em voga. O texto do Cristofer não foge do embate. Posicionar-se frente aos assuntos polêmicos e práticos demonstra sensibilidade e senso crítico em meio a nossa imensa realidade.

Gosto de ler o que Cristofer escreve, há dedicação, e uma busca da ampliação da consciência, própria e coletiva. Claro que idéias movem o mundo, mas é preciso inseri-las pelos meios cabíveis, fazendo-as entrar pela porta da frente e também saindo pela mesma porta. Por isso escrever é um meio de transporte das idéias, muito salutar e relevante nesse processo todo de sociabilidade.

Há uma forte idéia de multiculturalismo e a perda dele, no último parágrafo do texto do Cristofer. Diz ali nas entrelinhas ( e este é um dos problemas do texto, deveria dizer nas linhas e não nas entrelinhas) que estamos perdendo a chance de cuidar de nossa sociedade atráves do respeito às diferenças e crenças, para mergulharmos em um política "unicor" (que diga-se não só de passagem, que se vier a ser piorará muito as relações humanas). Contudo, digo que no texto do Cristofer há idéias, mas a forte ironia e a falta de clareza no último parágrafo prejudicaram o convencimento do leitor. Cristofer melhore a pontuação, para consequentemente dar maior objetividade e coerência ao seus texto. É isso por enquanto. Nos vemos, ou melhor, nos lemos nos próximos textos. Abraço.